sobrepor memórias
Fico curiosa com a necessidade de
sobrepor as memórias que foram construídas.
Acho graça porque parece uma
tentativa desesperada de esquecer o inesquecível.
Depois de um tempo a gente
sente as coisas de maneira muito mais clara.
E como isso é um ciclo, um vício;
mas talvez você não consiga perceber.
Até passou pela minha cabeça perguntar
se
as memórias que construímos
não foram também uma tentativa desesperada
de
sobrepor o que já existia em você.
Era novo para mim, mas não para você.
E hoje
é novo para ela, e não para você.
De novo, pela enésima vez.
Talvez esteja num
poço tão sem fundo
que esqueceu que é possível fazer diferente.
Às vezes dá muita vontade de entrar
na mente das pessoas,
mudar as peças, sacudir e falar:
você não tá vendo que
isso está te matando?
A doença é mais simples de entender do que parece.
Chama
apego.
Texto produzido na maratona Corujandross em 04 e 05 de fevereiro de 2017.
Texto produzido na maratona Corujandross em 04 e 05 de fevereiro de 2017.
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