caminhando
Janela aberta, a brisa entra sorrateira.
Nessa noite, quente e úmida, me encontro num dilema.
Tenho algo a produzir, para entregar pela manhã,
mas o caminho mais certeiro que compreendo é falar (ou escrever) conforme as teclas são atraídas pelos meus dedos.
Como uma melodia, ponho-me a organizar essas palavras
como se eu e o mundo fossemos um só.
A unidade é encantadora.
Primeira experiência do gênero.
Tudo que é novidade tem um gosto diferente, já percebeu?
Meus dedos caminham sobre você
como se eu já soubesse sua melodia de cor.
O problema que todos enfrentam:
porque a falta dela não pode fazê-la completa?
Procuramos o tempo todo algo que já temos dentro de nós.
Se a criatividade existe já em forma fluida,
porque buscamos concretamente em outros universos?
Sempre quis algo assim,
uma missão externa criando uma egrégora
que ajudasse a externar o que às vezes tenho tanta dificuldade.
Eu sinto que está dentro de mim,
mas parece errado –
mesmo sabendo que não há certo ou errado.
Tudo é perfeito como é.
Texto produzido na maratona Corujandross em 04 e 05 de fevereiro de 2017.
Texto produzido na maratona Corujandross em 04 e 05 de fevereiro de 2017.
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