além-força

Ficar sem internet realmente é uma experiência mais incrível do que parece. Viemos aqui para a praia só porque sabemos que aqui não tem Wi-Fi, puramente para ficar longe das influências. Olha que loucura! Não vir para a praia, mas ter que viajar quase 100 km para não se sabotar. Não poderíamos simplesmente desligar o roteador? Claro que não. Porque experiências reais não são manipuláveis. E isso pode realmente fazer milagres, sem exageros. Se eu considero um milagre retirar todos os gatilhos de autossabotagem da minha frente? Sem dúvida.

Engraçado que eu nem sei se tem nome o estilo que estou usando para escrever. Não sei nem se é um estilo. Bate a insegurança do tempo todo. Mas vou mandar assim mesmo, não precisa ler tudo. Eu vou publicar nos meus rascunhos para ficar gravado, assim como os mais de 280 que já escrevi. Fico pensando se um dia alguém vai ler o que eu escrevo e realmente achar legal – além-força que recebo dos amigos apoiadores. É aquela frase, não preciso de pessoas que concordem comigo, porque a minha sombra faz isso muito melhor.

O sono começa a bater, a vontade de prosseguir existe, mas está perdendo força. De repente a música da playlist – que escuto há meses - ficou mais acelerada. Ou será que ela foi sempre assim, e eu que nunca percebi? Só sei que vai ser engraçado gravar algum áudio ou compartilhar o que estou escrevendo aqui. Essas palavras são apenas reflexos de olhos semicerrados e mãos singulares habituadas a navegar pelas madrugadas. Elas estão privadas de algum sentido até um retomar minha consciência. 

Texto produzido na maratona Corujandross em 04 e 05 de fevereiro de 2017.

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