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Ampulheta - Final

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Eu falava sozinha. No banheiro, pra ser mais exata. Nossa, trocava altas idéias comigo mesma. Passei anos desse jeito e confesso que às vezes ainda faço isso, enfim. Forever alone total, perceberam? Até que um dia, minha mãe bateu na porta em perguntou com quem eu estava conversando. É, eu tinha me empolgado. Precisava de outra solução: queria expor o que eu pensava sem ter medo de represálias. Porque quando um adolescente pensa, as pessoas querem podar seus devaneios. Nem era tão popular ainda esse negócio de blog, mas eu resolvi fazer. Ninguém ia ler, eu sabia, visto que eu não divulgava e tal. Se você tiver paciência, visite minhas postagens antigas e veja a qualidade medíocre dos meus textos. Eles até fazem sentido, mas com a cabeça que tenho hoje, vejo que eu faria diferente: um pouco menos de revolta, um pouco mais de sapiência. Mas veja bem, o passado que constrói a nossa essência. E devo dizer que precisei passar por todas as revoltas com e sem causa, os estresses, as discussõe...

Ampulheta - II

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O tempo passou, eu cresci, mas aquela paixão continuava. De modo exagerado admito. Eu já quis escrever um atlas num caderno brochura e já comecei várias histórias onde a personagem começava seu dia tomando um suco de laranja. Nada a ver. Na sexta série começaram as propostas de redação mais complexas, e eu tirei de letra. De modo exagerado, de novo. Os meus amigos rascunhavam umas 20 linhas por proposta. Minhas redações levavam a tarde toda pra serem escritas e tinha 7 folhas de caderno universitário frente e verso. Problemas. Mas eu notei que quando havia regras do tipo 'dissertação com 30 linhas sobre o desmatamento e outros problemas ambientais' eu SEMPRE travava. Agora, quando não tinha regras, nossa! Eu desembestava lindamente a escrever. Até no Enem, vestibular, essas coisas eu nunca me dei bem. Quer dizer, não era de todo o mal, mas definitivamente minhas notas eram maiores na parte objetiva. Eu não tenho e acho que nunca terei poder de resumir e limitar minhas idéias. E...

Ampulheta - I

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Esse é o 100º post do blog e resolvi contar uma história pra vocês. Eu aprendi a ler com 4 anos, fuçando num caderno de receitas da minha mãe e me lembro: minha primeira palavra foi Capítulo . Saí correndo pra contar a novidade pra minha mãe, que sorriu e me abraçou. Desse dia em diante minha mãe quis me colocar na escola mas, pela pouca idade, eu teria que esperar mais um ano. E eu sonhava em ir pra escola, dava nome a todos os meus amiguinhos, dava aulas pros meus alunos invisíveis. E comia todas as bolachas deles também, mas isso não vem ao caso. Mas uma coisa que assolava minha pequena cabeça grande e minha mãe ria muito disso, como ela adora me lembrar: se eu ia pra escola então eu já tinha que ter uma base; eu dizia "-MÃE EU NÃO SEI LER!" E sério, não adiantava minha mãe dizer que a gente ia pra escola justamente por isso: pra aprender. "Não porque eu tenho que saber, que tenho porque tenho e MIMIMI". E batia o pé. Minha mãe, anjo que sempre foi, resolveu me e...