Ampulheta - Final
Eu falava sozinha. No banheiro, pra ser mais exata. Nossa, trocava altas idéias comigo mesma. Passei anos desse jeito e confesso que às vezes ainda faço isso, enfim. Forever alone total, perceberam? Até que um dia, minha mãe bateu na porta em perguntou com quem eu estava conversando. É, eu tinha me empolgado. Precisava de outra solução: queria expor o que eu pensava sem ter medo de represálias. Porque quando um adolescente pensa, as pessoas querem podar seus devaneios. Nem era tão popular ainda esse negócio de blog, mas eu resolvi fazer. Ninguém ia ler, eu sabia, visto que eu não divulgava e tal. Se você tiver paciência, visite minhas postagens antigas e veja a qualidade medíocre dos meus textos. Eles até fazem sentido, mas com a cabeça que tenho hoje, vejo que eu faria diferente: um pouco menos de revolta, um pouco mais de sapiência. Mas veja bem, o passado que constrói a nossa essência. E devo dizer que precisei passar por todas as revoltas com e sem causa, os estresses, as discussõe...