queixa
qual minha queixa?
to falando que nem eu não gosto, pelos cotovelos, pra caramba, de modo difícil pra me igualar (a quem?)
me sinto uma imbecil logo após o inicio da fala, como se ninguém tivesse interessado no que digo. o que as vezes tenho evidencias, já que os bocejos e olhadas pro lado são frequentes. então me calo e escuto.
isso faço com maestria. adoro escutar historias, e fico imaginando que legal seria se eu conseguisse contar uma historia inteira, sem pausas e com fluxo. com fluidez, sem correções, sem comentários ou piadas nas entrelinhas.
sei que o bom humor é uma ótima arma, mas ele tem me atrapalhado. porque me sinto infantilizada em diversos momentos. como se eu não conseguisse ser levada a serio - ou transmitir a seriedade que eu tenho dentro de mim.
porque eu sou uma pessoa séria e bem humorada ao mesmo tempo. tenho parar de me definir como caos, porque isso só alimenta a ideia do ego. falo tanto de consciência que sinto que não tennho nenhuma ou tenho demais.
esse texto sem duvidas está sendo o mais proximo de descrever o que se passa na minha mente.
e tem também o sentimento de querer saber o tempo todo. gosto de aprender mas não gosto muito quando me vêm com lições. porque parece que não sei nada. e sei que é mentira porque sei de muita coisa. porque pra alguns faz sentido e pra outros não.
também não gosto quando falam de idade. porque idade não tem nada a ver. mas tem ao mesmo tempo. eu não posso querer ter a mesma experiência de vida de alguém dez anos mais velho que eu, mas sei que posso contribuir. e quero contribuir. mas as pessoas querem a minha contribuição?
ai fico sem saber. pra alguns faço diferença e isso me faz feliz. pra outro não faço falta. e tudo bem, certo? que necessidade é essa de fazer diferença o tempo todo?
por isso nem gosto muito de falar o que penso. está mudando toda hora, fica até chato. não transmito confiança. uma hora quero muito uma coisa e no próximo minuto nada mais faz sentido e volto pra onde estou.
e o sorriso? uma hora ele vem fácil. no minuto seguinte me vejo no espelho e qualquer tentativa de mostrar os dentes torna-se um fiasco.
ai sabe o que faço? vou pra rede social. meu refúgio. quero fazer as pessoas rirem e se sentirem bem, porque isso me alimenta. mas o outro não sabe disso. me sinto criminosa falando isso. mas não é crime querer faz os outros felizes. mas talvez seja crime eu me machucar pra fazer isso.
tenho notado que toda vez que chego em casa minha energia é drenada. talvez eu associei minha casa com o caos. porque muito caos já passou por aqui. as vezes penso se eu que não sou quem causa o caos aqui. aí me bate culpa.
ah, a culpa. tem sido difícil lidar com ela, sabe? tudo torna-se pesado demais pra carregar. e esse tudo não consigo descrever com muitos detalhes. culpa de ter a memória ruim, de não conseguir fazer o que me proponho a fazer, não me exercitar, culpa de querer estar perto de todos, mas sem querer fazer alguma coisa pra afastá-los - de uma cara fechada a um e-mail não respondido. não cumpro o que prometo pra mim. pros outros ok, mas pra mim sou uma negação.
acabei de abrir o instagram pra ver quantos likes tinha na última foto que postei. estou séria na foto. amigo meu fala que é falha na matrix me ver triste ou séria. e há culpa gerada por causar essa "decepção". não faz o menor sentido sentir culpa por isso, e eu sei disso. mas o pensamento vem na minha mente e uma força maior faz com que me envolva com esse pensamento.
quero ter paz. mas ultimamente só tenho querido dormir. dormir até meio dia, dormir depois do almoço, fingir que estou alongando mas dormir enquanto estendo as pernas. quero dormir enquanto estou trabalhando.
durmo pouco porque acho que isso aumenta minha performance. mas me deixa podre. eu tenho que ser feliz, tenho todos os motivos pra isso, mas o sorriso não vem. eu provoco o sorriso, mas ele não sai natural. sai amarelo. sai sem graça e forçado. carregado de culpa.
você tinha que fazer aquele relatório, você tem seus compromissos com seus clientes. tem gente querendo seu serviço mas você demora dias pra enviar uma proposta. qual é o seu problema? você tem emails pra responder e reuniões pra agendar mas você está postergando porque? porque da um prazer oculto em ter um monte de coisa pra fazer. em se sentir útil. eu fazer com que os outros pensem que sou super atarefada. mas sabe o que eu faço quando sento na frente do computador? eu fico no twitter vendo foto de comida, fico no facebook vendo as novidades do dia pra absolutamente nada - mas minto pra mim dizendo que estou vendo os resultados dos posts da semana, que inclusive estou atrasada pra entregar e produzir, sei que tenho um compromisso com esse compromisso. mas estou falhando de propósito. parabéns pra mim.
de fato, esse texto está cheio de verdades que poderiam derrubar minha reputação (que reputação? ter mais de 1000 likes numa pagina do facebook ou mais de 1400 "amigos" no facebook não faz com que você seja nada. apenas pare, você está se dando importância demais. nem é tudo isso.)
estou esquecendo de rezar e agradecer pelas coisas legais que tem acontecido. engraçado que depois dessas crises o universo ainda é muito bom comigo, e nas ultimas tenho recebido mensagens inesperadas de amigos e clientes, contando novidades super legais. como fico feliz meudeus. ai me emociono e ao inves de fazer com que eu siga em frente pra colecionar ainda mais memorias incríveis, nao... eu escolho parar porque já está bom. nunca está bom, será que você ainda não percebeu?
um super desafio escrever sem parar o que tá se passando na minha mente.
lembrei que tenho que fazer o tcc, e preencher os livrinhos pra conseguir os certificados. mas ainda não fiz. sempre tem prioridades na frente. porque ver o twitter é super mais importante. cara, qual é o meu problema?
que tendencia de achar que tudo é um problema. procrastinação enraizada, como é difícil de curar. nunca consigo fazer uma mesma coisa por mais de 3 dias. seja crossfit no quarto, correr na praça que faz tempo que não faço, seja carinhar meus bichinhos. e acabei de lembrar que tenho que limpar o aquário e que se não o fizer, já é previsível, vão me falar "tem que limpar o aquário" eu sei que tem, não precisa falar. nem a motivação de que um ser vivo precisa dos meus cuidados porque ele não consegue fazer sozinho, cara, nem isso me faz suficiente animada pra fazer. vai ser que nem aquele dia que fui lavar o aquário de madrugada as 2:00 pra não ter mais que ouvir perturbação. me pergunto porque ninguém pode fazer isso pra mim, por mim. porque eu não peço, como eles saberiam que estou pedindo ajuda porque não peço? fora que se você vê, você faz. mas não é assim. eu sei que tenho que limpar o aquário, mas porque você não limpa? e tudo recai nela.
porque você não trabalha, porque não respeita meu trabalho (nem eu respeito, não faz sentido exigir. tenho mentido pra mim mesma sobre isso. agora tinha que estar trabalhando e produzindo pro instituto mas estou escrevendo esse texto)
o mais tenso é que estou sentindo culpa nesse momento por não estar produzindo pro trabalho, tenho 4 propostas / relatórios pra fazer. mas estou aqui escrevendo todos os meus pensamentos. quero muito fazer ferramentas pra mim mas penso que isso vai exigir um tempo absurdo ai deixo pra lá.
vou pesquisar sobre transtorno bipolar. fugi e fingi demência do "diagnóstico" do ano passado. falei que não precisava de remédio. sabe o que era engraçado? no começo, achava que bipolaridade era escutar vozes e agir de acordo com meus nomes. tinha varias personalidades, mas bipolar tem cara de ser isso que tô sentindo: esses altos e baixos muito loucos que tenho sentido desde a grande crise em novembro do ano passado, crise de choro do nada, incapacidade de pegar pensamentos, vontade de arrancar minha face fora, de não pensar, de não viver mais só pra não sentir aquela agonia. depois eu podia voltar. mas não lembro como sai da crise - ou se eu tive alguma coisa a ver com o término da crise. ou ela tem tempo definido e limitado, aí passou. não fui muito a fundo.
fugi de terapia também, tenho um preconceito absurdo. que acho que só vai passar quando eu começar a fazer mesmo. como ter preconceito de algo que nem sei como funciona?
medo de ficar dependente. não gosto de me prender a nada e a ninguém,
fiquei mais de 20 minutos no instagram de novo, revendo minhas fotos. e pensando nas próximas histórias. minha mãe veio me dar boa noite, achei legal.
escrito em 12.09.16
Depois desse texto, comecei a terapia, me ajudou muito em uma serie de aspectos. tive somente umas 3 ou 4 crises pequenas e passageiras. o preconceito com terapia caiu por terra e hoje recomendo para todos.
to falando que nem eu não gosto, pelos cotovelos, pra caramba, de modo difícil pra me igualar (a quem?)
me sinto uma imbecil logo após o inicio da fala, como se ninguém tivesse interessado no que digo. o que as vezes tenho evidencias, já que os bocejos e olhadas pro lado são frequentes. então me calo e escuto.
isso faço com maestria. adoro escutar historias, e fico imaginando que legal seria se eu conseguisse contar uma historia inteira, sem pausas e com fluxo. com fluidez, sem correções, sem comentários ou piadas nas entrelinhas.
sei que o bom humor é uma ótima arma, mas ele tem me atrapalhado. porque me sinto infantilizada em diversos momentos. como se eu não conseguisse ser levada a serio - ou transmitir a seriedade que eu tenho dentro de mim.
porque eu sou uma pessoa séria e bem humorada ao mesmo tempo. tenho parar de me definir como caos, porque isso só alimenta a ideia do ego. falo tanto de consciência que sinto que não tennho nenhuma ou tenho demais.
esse texto sem duvidas está sendo o mais proximo de descrever o que se passa na minha mente.
e tem também o sentimento de querer saber o tempo todo. gosto de aprender mas não gosto muito quando me vêm com lições. porque parece que não sei nada. e sei que é mentira porque sei de muita coisa. porque pra alguns faz sentido e pra outros não.
também não gosto quando falam de idade. porque idade não tem nada a ver. mas tem ao mesmo tempo. eu não posso querer ter a mesma experiência de vida de alguém dez anos mais velho que eu, mas sei que posso contribuir. e quero contribuir. mas as pessoas querem a minha contribuição?
ai fico sem saber. pra alguns faço diferença e isso me faz feliz. pra outro não faço falta. e tudo bem, certo? que necessidade é essa de fazer diferença o tempo todo?
por isso nem gosto muito de falar o que penso. está mudando toda hora, fica até chato. não transmito confiança. uma hora quero muito uma coisa e no próximo minuto nada mais faz sentido e volto pra onde estou.
e o sorriso? uma hora ele vem fácil. no minuto seguinte me vejo no espelho e qualquer tentativa de mostrar os dentes torna-se um fiasco.
ai sabe o que faço? vou pra rede social. meu refúgio. quero fazer as pessoas rirem e se sentirem bem, porque isso me alimenta. mas o outro não sabe disso. me sinto criminosa falando isso. mas não é crime querer faz os outros felizes. mas talvez seja crime eu me machucar pra fazer isso.
tenho notado que toda vez que chego em casa minha energia é drenada. talvez eu associei minha casa com o caos. porque muito caos já passou por aqui. as vezes penso se eu que não sou quem causa o caos aqui. aí me bate culpa.
ah, a culpa. tem sido difícil lidar com ela, sabe? tudo torna-se pesado demais pra carregar. e esse tudo não consigo descrever com muitos detalhes. culpa de ter a memória ruim, de não conseguir fazer o que me proponho a fazer, não me exercitar, culpa de querer estar perto de todos, mas sem querer fazer alguma coisa pra afastá-los - de uma cara fechada a um e-mail não respondido. não cumpro o que prometo pra mim. pros outros ok, mas pra mim sou uma negação.
acabei de abrir o instagram pra ver quantos likes tinha na última foto que postei. estou séria na foto. amigo meu fala que é falha na matrix me ver triste ou séria. e há culpa gerada por causar essa "decepção". não faz o menor sentido sentir culpa por isso, e eu sei disso. mas o pensamento vem na minha mente e uma força maior faz com que me envolva com esse pensamento.
quero ter paz. mas ultimamente só tenho querido dormir. dormir até meio dia, dormir depois do almoço, fingir que estou alongando mas dormir enquanto estendo as pernas. quero dormir enquanto estou trabalhando.
durmo pouco porque acho que isso aumenta minha performance. mas me deixa podre. eu tenho que ser feliz, tenho todos os motivos pra isso, mas o sorriso não vem. eu provoco o sorriso, mas ele não sai natural. sai amarelo. sai sem graça e forçado. carregado de culpa.
você tinha que fazer aquele relatório, você tem seus compromissos com seus clientes. tem gente querendo seu serviço mas você demora dias pra enviar uma proposta. qual é o seu problema? você tem emails pra responder e reuniões pra agendar mas você está postergando porque? porque da um prazer oculto em ter um monte de coisa pra fazer. em se sentir útil. eu fazer com que os outros pensem que sou super atarefada. mas sabe o que eu faço quando sento na frente do computador? eu fico no twitter vendo foto de comida, fico no facebook vendo as novidades do dia pra absolutamente nada - mas minto pra mim dizendo que estou vendo os resultados dos posts da semana, que inclusive estou atrasada pra entregar e produzir, sei que tenho um compromisso com esse compromisso. mas estou falhando de propósito. parabéns pra mim.
de fato, esse texto está cheio de verdades que poderiam derrubar minha reputação (que reputação? ter mais de 1000 likes numa pagina do facebook ou mais de 1400 "amigos" no facebook não faz com que você seja nada. apenas pare, você está se dando importância demais. nem é tudo isso.)
estou esquecendo de rezar e agradecer pelas coisas legais que tem acontecido. engraçado que depois dessas crises o universo ainda é muito bom comigo, e nas ultimas tenho recebido mensagens inesperadas de amigos e clientes, contando novidades super legais. como fico feliz meudeus. ai me emociono e ao inves de fazer com que eu siga em frente pra colecionar ainda mais memorias incríveis, nao... eu escolho parar porque já está bom. nunca está bom, será que você ainda não percebeu?
um super desafio escrever sem parar o que tá se passando na minha mente.
lembrei que tenho que fazer o tcc, e preencher os livrinhos pra conseguir os certificados. mas ainda não fiz. sempre tem prioridades na frente. porque ver o twitter é super mais importante. cara, qual é o meu problema?
que tendencia de achar que tudo é um problema. procrastinação enraizada, como é difícil de curar. nunca consigo fazer uma mesma coisa por mais de 3 dias. seja crossfit no quarto, correr na praça que faz tempo que não faço, seja carinhar meus bichinhos. e acabei de lembrar que tenho que limpar o aquário e que se não o fizer, já é previsível, vão me falar "tem que limpar o aquário" eu sei que tem, não precisa falar. nem a motivação de que um ser vivo precisa dos meus cuidados porque ele não consegue fazer sozinho, cara, nem isso me faz suficiente animada pra fazer. vai ser que nem aquele dia que fui lavar o aquário de madrugada as 2:00 pra não ter mais que ouvir perturbação. me pergunto porque ninguém pode fazer isso pra mim, por mim. porque eu não peço, como eles saberiam que estou pedindo ajuda porque não peço? fora que se você vê, você faz. mas não é assim. eu sei que tenho que limpar o aquário, mas porque você não limpa? e tudo recai nela.
porque você não trabalha, porque não respeita meu trabalho (nem eu respeito, não faz sentido exigir. tenho mentido pra mim mesma sobre isso. agora tinha que estar trabalhando e produzindo pro instituto mas estou escrevendo esse texto)
o mais tenso é que estou sentindo culpa nesse momento por não estar produzindo pro trabalho, tenho 4 propostas / relatórios pra fazer. mas estou aqui escrevendo todos os meus pensamentos. quero muito fazer ferramentas pra mim mas penso que isso vai exigir um tempo absurdo ai deixo pra lá.
vou pesquisar sobre transtorno bipolar. fugi e fingi demência do "diagnóstico" do ano passado. falei que não precisava de remédio. sabe o que era engraçado? no começo, achava que bipolaridade era escutar vozes e agir de acordo com meus nomes. tinha varias personalidades, mas bipolar tem cara de ser isso que tô sentindo: esses altos e baixos muito loucos que tenho sentido desde a grande crise em novembro do ano passado, crise de choro do nada, incapacidade de pegar pensamentos, vontade de arrancar minha face fora, de não pensar, de não viver mais só pra não sentir aquela agonia. depois eu podia voltar. mas não lembro como sai da crise - ou se eu tive alguma coisa a ver com o término da crise. ou ela tem tempo definido e limitado, aí passou. não fui muito a fundo.
fugi de terapia também, tenho um preconceito absurdo. que acho que só vai passar quando eu começar a fazer mesmo. como ter preconceito de algo que nem sei como funciona?
medo de ficar dependente. não gosto de me prender a nada e a ninguém,
fiquei mais de 20 minutos no instagram de novo, revendo minhas fotos. e pensando nas próximas histórias. minha mãe veio me dar boa noite, achei legal.
escrito em 12.09.16
Depois desse texto, comecei a terapia, me ajudou muito em uma serie de aspectos. tive somente umas 3 ou 4 crises pequenas e passageiras. o preconceito com terapia caiu por terra e hoje recomendo para todos.
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