a de hoje
eu achei que tinha me livrado das crises, mas hoje mais uma me acometeu.
começo encarando o vazio, fazendo ouvidos moucos frente a qualquer diálogo. tudo faz sentido e nada faz ao mesmo tempo. a vontade de falar se afoga frente ao turbilhão de pensamentos que passam no buraco de agulha que é a minha atenção.
falo de meus desagrados com o presente, com mais fluidez do que imaginei que tivesse.
existe entendimento e compreensão. sou grata.
mas nada disso é suficiente pra barrar o tsunami que vem logo após.
viro pro lado e meu corpo começa a tremer. meu corpo inteiro se contrai, em dor e agonia. meu coração acelera e, como sempre acho que vou morrer. minha garganta seca, parece fechar e dificultar a entrada do ar salvador. na mente, apenas confusão, ódio, tristeza, agonia, raiva, apatia, vergonha por passar por aquilo na frente de alguém.
eu não consigo respirar.
olho pro branco da parede na esperança de ter alguma molécula de oxigênio que vai me ajudar a sair dessa.
e soco a parede. uma, duas, cinco vezes. ele segura minha mão.
mas continuo querer socá-la, numa representação de minha raiva contra mim. eu quero sentir dor, pra ver se consigo voltar pro presente. porque pelos modos normais é impossível.
lágrimas preenchem cada célula, cada poro do rosto, cada trama do tecido do lençol.
eu ainda não consigo respirar.
choro de soluçar, choro como um balde transbordando, cuja torneira não tenho força pra fechar.
todo o meu corpo dói, tudo se contrai na esperança de espremer aquela angústia pra fora de mim.
e aí lembro de respirar 3, expirar 6.
consigo retomar, ainda tremendo, a contagem.
tudo dói. meu peito vai explodir. eu preciso de ajuda.
e, como numa maré que vai abaixando, a calma junto com a exaustão vai preenchendo, e eu consigo retomar aos poucos.
a respiração fica amena, mas é claro, estou exausta.
pareço ter corrido 100 metros em 5 segundos.
tudo isso dura alguns minutos, que parecem horas.
uma dor horrível toma conta da minha cabeça, que também parece que vai explodir.
meu olhos, garganta, peito, costas, tudo dói.
eu sempre acho que não vou aguentar, mas sempre aguento.
eu suporto.
eu sei que não vou me livrar tão cedo dela.
mas pelo menos agora eu consigo lembrar do que acontece, com detalhes.
consigo reviver e não me envolver novamente.
viro pro lado e durmo outra vez.
me sinto inútil mais uma vez, me sinto fraca. mas mais fortalecida que da última.
a de hoje não foi a última, eu sei. eu sinto.
começo encarando o vazio, fazendo ouvidos moucos frente a qualquer diálogo. tudo faz sentido e nada faz ao mesmo tempo. a vontade de falar se afoga frente ao turbilhão de pensamentos que passam no buraco de agulha que é a minha atenção.
falo de meus desagrados com o presente, com mais fluidez do que imaginei que tivesse.
existe entendimento e compreensão. sou grata.
mas nada disso é suficiente pra barrar o tsunami que vem logo após.
viro pro lado e meu corpo começa a tremer. meu corpo inteiro se contrai, em dor e agonia. meu coração acelera e, como sempre acho que vou morrer. minha garganta seca, parece fechar e dificultar a entrada do ar salvador. na mente, apenas confusão, ódio, tristeza, agonia, raiva, apatia, vergonha por passar por aquilo na frente de alguém.
eu não consigo respirar.
olho pro branco da parede na esperança de ter alguma molécula de oxigênio que vai me ajudar a sair dessa.
e soco a parede. uma, duas, cinco vezes. ele segura minha mão.
mas continuo querer socá-la, numa representação de minha raiva contra mim. eu quero sentir dor, pra ver se consigo voltar pro presente. porque pelos modos normais é impossível.
lágrimas preenchem cada célula, cada poro do rosto, cada trama do tecido do lençol.
eu ainda não consigo respirar.
choro de soluçar, choro como um balde transbordando, cuja torneira não tenho força pra fechar.
todo o meu corpo dói, tudo se contrai na esperança de espremer aquela angústia pra fora de mim.
e aí lembro de respirar 3, expirar 6.
consigo retomar, ainda tremendo, a contagem.
tudo dói. meu peito vai explodir. eu preciso de ajuda.
e, como numa maré que vai abaixando, a calma junto com a exaustão vai preenchendo, e eu consigo retomar aos poucos.
a respiração fica amena, mas é claro, estou exausta.
pareço ter corrido 100 metros em 5 segundos.
tudo isso dura alguns minutos, que parecem horas.
uma dor horrível toma conta da minha cabeça, que também parece que vai explodir.
meu olhos, garganta, peito, costas, tudo dói.
eu sempre acho que não vou aguentar, mas sempre aguento.
eu suporto.
eu sei que não vou me livrar tão cedo dela.
mas pelo menos agora eu consigo lembrar do que acontece, com detalhes.
consigo reviver e não me envolver novamente.
viro pro lado e durmo outra vez.
me sinto inútil mais uma vez, me sinto fraca. mas mais fortalecida que da última.
a de hoje não foi a última, eu sei. eu sinto.
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