raiva protetora com propósito
hoje consigo olhar com mais gentileza pra inércia anestesiada que aconteceu enquanto eu estava com ele.
acho que a culpa se transformou numa raiva protetora com propósito. explico.
hoje sinto alívio em ver que consegui sair daquela merda. tipo, muito alívio mesmo. eu estava num momento muito fragilizado e apesar de não gostar da ideia, não deixa de ser uma possibilidade pensar que ele se aproveitou de alguma forma.
mas independente, olhando com muita clareza agora, a gente não tinha absolutamente nada a ver. contextos e objetivos completamente diferentes. olhares para a vida muito diferentes. necessidades diferentes. tudo muito diferente.
ano passado eu estava num momento muito pesado e eu só tava existindo. eu não sabia o que eu queria então qualquer coisa servia. ele serviu. ele era qualquer coisa. ele foi literalmente o primeiro que me deu um pouco mais de atenção, que era exatamente o que eu precisava naquele momento.
mas eram migalhas de afeto e serotonina - e logicamente eu só fui perceber depois.
minha vida andou muito pra frente depois que a gente terminou. o alívio vem daqui também.
tô mais saudável, mais focada, mais potente. mais dona de mim. mais segura, mais impositiva. mais disposta, fazendo o que quero fazer, priorizando o que eu quero priorizar. planejando o que eu quero planejar. mais forte, mais confiante, mais combativa. mais agressiva. mais eu. agora sou eu de verdade.
agora consigo me expressar sem medo. porque não quero mais agradar ninguém. eu não quero me expressar pra convencer ninguém, eu quero me expressar porque é importante pra mim. como a pessoa vai receber a minha expressão é problema dela. não quero mais puxar ninguém. quem quiser acompanhar que acelere o passo. eu me tornei uma pessoa muito exigente e quero ficar assim. ser exigente me torna uma pessoa segura pra mim mesma.
eu não vou mais permitir que ninguém me machuque de novo. é uma promessa.
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