fim de ciclo

os momentos de melancolia são os de maior conexão. parece que, de alguma forma muito torta ou torpe, é a unica forma de olhar pra dentro. um misto de culpa e pesar. de repente, nada mais importa. até agora estava cheio de dedos, mas agora flui. porque ha de existir um rompimento de barragem? porque a fluidez não pode acontecer sem que nada seja rompido? será que é mesmo necessário?

e a sensação de que nunca mais a felicidade vai aparecer? vem um misto de conformismo "eu já sabia que ia dar nisso, você que é idiota e insiste" com uma pitada de "será que não dava mesmo?"
não dá pra não deixar de sentir culpa. tanto estava começando a ser construído e num piscar, tudo rui. seria esse caminho de bola de demolição que é o destino? onde coloca a mão (ou o coração) tudo destrói. e inevitavelmente, começam a vir acusações internas de hipocrisia. "você merece ficar sozinha. quem sabe assim você para de arruinar as coisas".a voz é mais forte. eu tento, sem muita força, tentar calá-la. essa música não está ajudando. ou está. porque o piano está de volta. um misto de culpa e não culpa. de "está melhor assim" com "o quanto você está perdendo?". prometi a mim mesma que não ia cair no loop de novo. vou ser forte. quero ser. mas como ser, quando a culpa te dá rasteiras toda hora? e esse cheiro de capim limão aqui do lado. nunca te dei nada. que péssimo ser que sou. desprezível. "who the hell was I?" tudo contribui pra queda. é um sentir-se sem querer sentir. piano atrás de piano. notas menores que forçam, que afundam.

a culpa não é só minha. você também sentiu e não falou nada. você é um enigma. jurei não acusar ou entrar no loop novamente. não passo daqui. me perdoe. sou grata por tudo. foi legal estar em contato com outra vibração. não estou pronta pra outro ciclo. e por mais dramático que pareça, e eu sei disso, sei que não é verdade. mas parece que nunca mais vou encontrar ninguém. eu tenho meus parâmetros, que são difíceis de bater. acho que nem eu mesma bato meus próprios parâmetros. porque raios eu acharia que outro ser atingiria? pela primeira vez sinto que vou explodir, porque sinto que não deveria estar sentindo o que estou sentindo. e a confusão cresce tanto que me vejo incapaz de observar os pensamentos. e do nada, vem um sentimento de vazio "você sabe que não existe, você que está criando isso". e tudo passa. não há envolvimento nem oscilação de emoção. estou me sentindo um ser estranho, sem conexão. só porque acho que deveria ter algo. mas não tem. aceita. é mais simples do que tentar caçar alguma coisa. apenas pare. assuma que não existe nada para ser sentido. assuma o vazio. tire o franzido do cenho, e simplesmente aceite. essa é a tarefa. as memórias não se tornam ruins somente porque o ciclo acabou. as memórias são o que são, não podem ser modificadas. apenas agradeça pelo privilégio de tê-las vivido.

gotas de liberdade. horas e não mais meses. as enxugo. estou pronta. Gloria in Excelsis Deo.

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